Desafios em conciliar a vida profissional, familiar e social

19.9.2019 / por Jorge Gameiro

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Desafios da Conciliação da Vida Profissional, Familiar e Pessoal


A situação atual

Num contexto económico e laboral cada vez mais concorrencial e competitivo, demonstrar uma dedicação completa e integral à sua função acaba sendo considerado por muitas pessoas como algo necessário para se tornarem profissionais reconhecidos e valorizados nas suas organizações.

Com base neste entendimento, muitos profissionais acreditam que trabalhar algumas horas extra é o caminho para conquistar o sucesso profissional, mesmo que isso signifique colocar em segundo plano a vida pessoal, nas suas várias dimensões, gerando aqui um desequilíbrio entre a vida profissional, familiar e pessoal, com os impactos daí resultantes.

Um foco excessivo na componente profissional em detrimento das restantes pode ainda resultar num fator potenciador de desequilíbrios ao nível da saúde física e mental, havendo já vários estudos que apontam nesse sentido. Neste caso, e para além do já referido, o trabalho em excesso poderá também contribuir para a perda de motivação profissional e de produtividade, absentismo e diminuição da qualidade de vida.

Nesta situação não é apenas o trabalhador que perde, mas também as entidades empregadoras, motivo pelo qual cada vez mais as organizações estão sensíveis ao impacto desta temática e investem em ações para promover o bem-estar dos seus colaboradores e uma melhor conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal.

A definição de políticas e programas de conciliação

Face ao exposto anteriormente, podemos dizer que um dos maiores desafios da atualidade consiste em encontrar um maior equilíbrio e conciliação entre a vida profissional, familiar e pessoal, surgindo aqui a conciliação como um eixo central das políticas de gestão de pessoas nas organizações, independentemente da sua natureza, atividade ou dimensão.

Pede-se neste caso às organizações que implementem políticas e programas de conciliação, que, por um lado, tenham em conta o seu contexto interno e externo e estejam alinhadas com a sua orientação estratégica e políticas de gestão de pessoas, e que, ao mesmo tempo, considerem as necessidades e expectativas das várias partes interessadas, de onde emergem desde logo os seus colaboradores.

Desta forma, e para que se consigam conceber e implementar programas de conciliação variados e flexíveis, que vão ao encontro das necessidades e expectativas das organizações e dos seus colaboradores, assume particular importância uma análise e caracterização prévias da estrutura e características do seu efetivo.

A implementação de programas de conciliação deverá prever também mecanismos de avaliação regular que permitam aferir o grau de implementação das medidas previstas nos programas, o cumprimento dos objetivos propostos, bem como o impacto das mesmas na organização e na vida dos colaboradores. O recurso a dados estatísticos – como por exemplo a evolução de índices de satisfação, rotatividade, desempenho, saúde e bem-estar, entre outros – assume aqui um papel importante para a obtenção de conclusões sobre o sucesso e impacto dos programas de conciliação.

Esta aposta na implementação de programas de conciliação pode gerar retorno positivo para as organizações, nomeadamente através da diminuição do absentismo, do aumento dos índices de satisfação interna e de produtividade, entre outros. Na conjuntura atual de escassez de recursos humanos qualificados que se verifica no nosso país, este foco pode também contribuir para fidelizar e reter talentos e reforçar a imagem e atratividade das organizações no mercado, com consequente impacto na captação de novos talentos.

A implementação de Sistemas de Gestão da Conciliação

Ciente desta problemática e do desafio da conciliação profissional, familiar e pessoal, foi criado pelo Governo Português o Programa «3 em Linha», que tem como objetivo promover um maior equilíbrio entre a vida profissional, familiar e pessoal e também melhorar o Índice de Bem-Estar da população portuguesa, no indicador“Balanço Vida-Trabalho” (INE), que tem vindo a decrescer desde 2011.

Entre as várias medidas de apoio à conciliação previstas neste Programa, destaca-se o incentivo à implementação de Sistemas de Gestão da Conciliação por parte de entidades públicas e privadas.

Como forma de ajudar as organizações a estruturar um Sistema de Gestão da Conciliação que lhes permita a implementação de políticas de gestão da conciliação da vida profissional, familiar e pessoal, foi publicada em 2016 a norma NP 4552:2016. Esta norma portuguesa permite a qualquer organização, independentemente da sua dimensão ou atividade, a estruturação de um sistema“baseado em princípios e valores que visam elevar os níveis de bem-estar, qualidade de vida e satisfação geral das partes interessadas em matérias de conciliação” (norma NP 4552:2016).

Caso a organização o pretenda, poderá obter a sua certificação através de um processo de auditorias desenvolvido por uma entidade certificadora acreditada.

in InfoRH, 20 de agosto de 2019

 

A RHmais realizou recentemente um Webinar sobre este tema, no qual foram abordados estes e outros tópicos. Se não teve a oportunidade de participar, poderá aceder à gravação integral do webinar carregando no botão abaixo.

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Tópicos: Grupo RHmais work-life balance Motivação no local de trabalho

Jorge Gameiro

Escrito por Jorge Gameiro

Jorge Gameiro, Consultor, Auditor e Formador RHmais

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